Itamaraty diz que apura agressões trocadas por diplomatas na Bolívia

O Ministério das Relações Exteriores informou, nesta segunda-feira (11/2), que apura as agressões trocadas por dois diplomatas brasileiros na Bolívia “para tomar as devidas medidas cabíveis”. José Augusto Silveira de Andrade Filho, antigo cônsul-geral de Santa Cruz de la Sierra, e Sóstenes Arruda de Macedo, que era cônsul adjunto, foram filmados em uma briga no aeroporto de Viru Viru, no dia 17 de janeiro.

O pronunciamento do Itamaraty acontece depois que o Metrópoles divulgou, com exclusividade, no domingo (10/2), um vídeo em que José Augusto leva um tapa e dá um soco em Sóstenes. O órgão já havia sido procurado outras duas vezes, mas disse que não tinha sido informado oficialmente sobre os fatos.

Problemas no trabalho
Andrade Filho teve a indicação aprovada pelo Senado Federal no último dia 27 de novembro e foi nomeado no dia 28 de dezembro embaixador do Brasil na Namíbia a partir de fevereiro deste ano. Macedo não ocupa mais o cargo na Bolívia e respondeu a dois processos administrativos disciplinares.

De acordo com relatos ouvidos pela reportagem, os dois tinham um relacionamento complicado no ambiente de trabalho. Nesses mesmos relatos, o embaixador indicado é descrito como uma pessoa séria, bastante respeitada entre os pares. A sua indicação para embaixador foi relatada como um passo natural em uma carreira bem sucedida.

Vídeo
Nas imagens gravadas pelas câmeras de videomonitoramento do aeroporto, Sóstenes está de camisa preta e aparece dando um tapa no celular do colega de trabalho, que segurava o aparelho. Augusto, de branco, revida com um soco. Os dois continuam discutindo enquanto o dono do telefone pega o objeto no chão. Logo em seguida, depois de ter sido chamado, um funcionário do aeroporto aparta a briga.

“Eu fui falar com ele [Augusto]. Ele puxou o celular para me filmar e estava muito nervoso. Bati na mão dele para o celular cair. Quando caiu, ele me deu um soco. Quando me recompus, meu ímpeto foi de imediatamente reagir, mas me lembrei que estava no exterior, em local público, diante de câmeras”, descreveu Sóstenes.

Entenda o caso
Sóstenes, que além de diplomata é padre, alega que sofria assédio moral quando era subordinado a José Augusto. “Estou num processo de linchamento pessoal e profissional. Foram mais de três anos de reiterado espancamento moral e administrativo”, afirmou.

A principal razão para os desentendimentos teria sido, segundo ele, a não execução de orçamento disponível para alimentação de presos brasileiros em Santa Cruz de La Sierra entre 2016 e 2017. “Eu conhecia os presos pelos nomes e entregava as cestas pessoalmente. Os presídios bolivianos são sucursais do inferno. Ele [Augusto] não executava nem se empenhava em fazer pedidos para novos recursos”, disse.

Sóstenes denunciou a atitude de Augusto, então cônsul-geral, ao Ministério Público Federal. Depois disso, afirma ter sofrido retaliações no consulado. “Ele tirou sala, tirou telefone, tirou computador, tirou jornais, tirou estacionamento e tirou funções. Depois de um processo judicial, cumpriu uma liminar e devolveu as coisas, mas as funções não foram devolvidas”, contou.

Um dos processos administrativos abertos no Ministério das Relações Exteriores contra Sóstenes diz respeito a um atentado contra a vida, mas ele nega que tenha cometido o ato. “Uma coisa absolutamente fraudulenta, com inúmeras violações de direito de defesa. O próprio cônsul-geral prestou depoimento e escolheu testemunhas”, disse.

Sobre isso, o Itamaraty respondeu que há dois processos administrativos abertos que investigam o servidor, mas eles correm em sigilo.

O diplomata José Augusto Silveira de Andrade Filho foi procurado por telefone, mas preferiu não se pronunciar sobre a situação.

Fonte: Metropoles
Author: Manoela Albuquerque

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