“Não quero vê-lo morto”, disse mãe que entregou o filho para a polícia em Taguatinga

Ana Lúcia Ferreira
ana.ferreira@grupojbr.com

Era por volta de 22h dessa quinta-feira (14), quando a central do Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) recebeu um telefonema inusitado. Do outro lado da linha estava uma mãe, que, em um momento de desespero, encontrou no número 190 a possível solução para o seu problema. Bastante agitada, a mulher denunciou o próprio filho alegando que ele guardava drogas dentro de casa.

Após receber a denúncia, militares foram até a residência localizada na QNG, em Taguatinga. Ali, receberam autorização para entrar na casa e abordaram o adolescente. No bolso da bermuda do jovem de 16 anos foram encontradas cerca de 100 gramas de maconha e R$ 50, em espécie. De acordo com a PMDF, o dinheiro é oriundo da venda de drogas.

Para a polícia, a mãe relatou que não aguentava mais ver o filho envolvido com o tráfico de drogas.  A mulher, que não teve a identidade revelada, afirmou que o filho estaria sofrendo retaliações de outros criminosos em função das dívidas do crime. Em uma das ocasiões, a mãe afirmou que teve a casa revirada e diversos objetos de sua residência subtraídos para que os montantes fossem pagos.

“Não quero ver meu filho morto”, disse a mulher para o sargento Maurício Alves que acompanhava a ocorrência.

Segundo o sargento, o jovem não esboçou reação e chegou a assumir o crime. Para a polícia ele afirmou que atuava no tráfico para ter dinheiro. O adolescente foi encaminhado para a Delegacia da Criança e do Adolescente II (Taguatinga), onde foi autuado pelo ato infracional análogo ao tráfico de drogas.

Casos semelhantes

Situações similares em que os pais acionam a Segurança Pública para denunciar atitudes ilícitas de seus filhos já foram registradas no Distrito Federal em outras ocasiões.  Em agosto de 2018, uma moradora da Vila Planalto telefonou à Polícia Militar para pediu que o próprio filho fosse preso. Na época, ela orientou o envio de uma viatura à casa da família porque existia um mandado de busca e apreensão contra o rapaz de 18 anos. Ele cometeu o crime de tráfico de drogas quando ainda era menor de idade e, segundo relatos dos pais à PM, causava problemas à família nos últimos meses.

O caso foi mostrado pelo Jornal de Brasília durante uma reportagem sobre as atitudes tomadas pelos genitores perante os crimes de seus filhos, nem sempre menores de idade. Um balanço da Vara de Execução de Medidas Socioeducativas do Tribunal de Justiça do DF e Territórios contabilizou 8 mil casos envolvendo menores no anos de 2017.  Nele, o tráfico de drogas (16%) fica atrás apenas dos crimes de roubo (49,87%).

Um mês após a reportagem ser publicada, um novo caso foi registrado. Dessa vez, uma mãe entregou o filho para a Polícia Militar do DF (PMDF) por não concordar com suas atitudes no Riacho Fundo II. Antes da atitude desesperada, o jovem, identificado apenas como David, tinha sido pego pela corporação, durante operação de rotina, com revólver calibre .38 na cintura e 2 porções de cocaína escondidas em suas vestes, além de uma quantidade em dinheiro.

No momento da abordagem, a mãe do suspeito chegou no local e permitiu que os militares fossem até sua residência para revistar o quarto do filho. Ela afirmou que “não concordava de forma alguma com as atitudes realizadas por ele”.

No caso do adolescente de Taguatinga, a mãe que denunciou nem chegou a acompanhá-lo até a Delegacia. Para os militares que conduziram o jovem, a mulher afirmou que não tinha condições de ir até o local.

“Prefiro ver ele preso, que ter que enterrá-lo”, disse a mulher para o sargento Maurício Alves.

Com 16 anos de serviços prestados à Corporação, Alves afirmou que nunca passou por situação semelhante e confessou surpresa.

“Já participei de bastante flagrantes, mas nunca havia presenciado uma mãe denunciar o próprio filho. Confesso que me gerou espanto, mas ainda que a gente compreenda a situação dela é bom saber que existem pessoas de bem, com valores, que sabem o que é certo e errado”, declarou .

Saiba Mais

Após serem apreendidos, os adolescentes podem dormir na DCA e, na manhã do dia seguinte, são encaminhados pela Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) ao Instituto de Medicina Legal (IML) para fazer exames de conjunção carnal e de lesão corporal. De lá, eles são encaminhados ao Núcleo de Atendimento Integrado (NAI), vinculado à Secretaria de Estado da Criança.

Ali, assistentes sociais, psicólogos, defensores públicos, promotores de Justiça e juízes definem o destino do adolescente. Pode haver internação provisória por até 45 dias ou liberação, com a presença dos pais, mediante alguma condição.

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