O que é uma barragem de rejeitos de mineração? E a lama, o que é?

A tragédia que abalou o mundo, em Brumadinhos, aumentou as dúvidas sobre o que é a barragem de rejeitos. Você vai entender agora de onde vem todo aquele vazamento que foi o maior do planeta desde Mariana. A barragem de rejeitos, que contém a lama que devastou Brumadinhos, é a “extração e beneficiamento do minério de ferro”.

A mina funciona explorando esse metal. O objetivo é chegar na hematita, minério formado por 70% ferro e 30% oxigênio. E para chegar a este material, deve-se separa-lo de outros materiais menos valiosos.

O principal desses materiais que são separados é a areia, ou quartzo (SiO2). Para fazer essa separação, o minério de ferro é triturado. A próxima etapa é a de flotação, que consiste em espalhar o material em tanques.

 

“Neles, o mineral mais leve (quartzo), flutua em uma espuma e o mais pesado (hematita) afunda”, explica Luis Enrique Sanchez, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

“Como o minério é moído, o rejeito é composto por partículas finas. O tamanho delas varia desde areia fina, que é mais grossa, até argila. E a argila, que é muito fina, na presença de água forma a lama”, completa Sanchez.

Como é formada a barragem de rejeitos

Como o descarte dessa lama no rio causaria graves impactos ambientais, foram construídos grande buracos para armazenamento desses restos. Esses buracos são as famosas barragens.

O descarte no rio é um grande problema ambiental certo? Pois bem, a massa de lama vazada atingiu o rio Paraopeba, descendo vários quilômetros em sua extensão. O detalhe alarmante é que este rio cobre 48 cidades de Minas Gerais. Ou seja, são mais de 1.3 milhões de pessoas sendo diretamente atingidas.

A lama se espalha rio abaixo em velocidade lenta, e não vai comprometer o abastecimento da região metropolitana, Belo Horizonte. O estrago não foi maior, porque o Paraopeba, que abastece cerca de 50% de BH não foi afetado diretamente.

Na análises da água encontraram ainda concentração de metais pesados, como chumbo e mercúrio 21 vezes acima do normal. E o pior, ainda não se sabe até onde o barro pode chegar.

A tragédia não para por aí

Há comunidades que vivem à margem do rio Paraopeba e tiram seu sustento dele. Um exemplo dessas comunidades, é a aldeia indígena Nao Xohã. O acumulo de massa de lama têm alterado ainda o curso do rio, e já se pode ver peixes mortos represados.

O rio mostra extremo comprometimento, a água está turva e contém mais de 800 substâncias dissolvidas em seu meio. E não há tratamento, nesse nível não serve mais para consumo. É um rio morto.

Declaração da empresa Vale

A empresa causadora de toda tragédia, Vale, afirmou que os rejeitos não são tóxicos. O problema é que não foram encontrados apenas quartzo em forma de argila. A concentração de metais como arsênio, manganês, chumbo, alumínio e ferro também foi diluída junto a água.

Ingerir grandes concentrações de metais pesados podem causar muitos problemas. A água contaminada pode causar irritação intestinal, diarreias e bioacumulação.

O corpo não absorve metais pesados, mesmo as pequenas doses. Então, se ingerido eles vão se acumulando no organismo, o que pode se tornar tóxico.

Área afetada

E o que acontece com a área afetada? Serão 3.6 km² de lama. Mais ou menos a área de 54 campos de futebol do tamanho do Maracanã. A natureza da região obviamente não será mais a mesma.

E quando a lama secar? A lama secando surge mais um problema. Lama seca se transforma em poeira, poeira tóxica. Ou seja, problemas respiratórios para os habitantes da região estão por vir.

Depressão

Em 2018 a UFMG foi responsável pela “Pesquisa sobre a Saúde Mental das Famílias Atingidas pelo Rompimento da Barragem do Fundão em Mariana”. Onde 271 pessoas foram avaliadas. O resultado foi assustador, quase um terço dessas pessoas foram diagnosticadas com depressão. E 12% dos participantes têm traços do quadro de transtornos de estresse pós-traumático, uma patologia mental tão grave quanto depressão.

Os números se equiparam as pessoas que sofreram com o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011.

E possível que aconteça novamente

Sim, é inacreditável, mas a história pode se repetir. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), das 19 barragens de rejeitos de minério com alto risco de acidentes no Brasil, 12 ficam no estado. Outras 376 barragens estão no mesmo estado que a de Brumadinhos estava, para a empresa Vale, com baixas chances de acidente.

Substituir barragem de rejeitos

O modelo de barragem já era considerado ultrapassado no Brasil por especialistas. E já existe uma tecnologia capaz de substituir a barragem de rejeitos, usada no Norte do país.

A nova tecnologia é a mineração a seco, sem uso de água e barragens. A técnica consiste em reaproveitar os rejeitos, que passam por retirada da água, os deixando sólidos para serem depositados em áreas protegidas por diques.

Veja também: Qual será o futuro da lama de Brumadinho nos próximos dias?

Fonte: superinteressante

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Author: Marcela Fernandes

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