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Cidades

Polícia apreende sistema de mídia da portaria do condomínio de Ronnie Lessa para perícia


Gravações estavam em posse da polícia desde o início de outubro, mas equipamentos tinham permanecido no residencial

Vera Araújo e João Paulo Saconi

07/11/2019 – 18:55
/ Atualizado em 07/11/2019 – 21:29

O condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
O condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

RIO — Policiais da Delegacia de Homicídios (DH) da
Polícia Civil
do Rio e peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) apreenderam na manhã desta quinta-feira o sistema de mídia da portaria do condomínio
Vivendas da Barra
, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde morava o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, um dos acusados pelas mortes da vereadora
Marielle Franco
(PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

Cronologia

Relembre os principais fatos da investigação

Leia
:
Saiba quais são as frentes de investigação do caso Marielle

Um dos porteiros do condomínio disse à Polícia Civil que liberou a entrada do ex-policial militar Élcio de Queiroz no Vivendas
após ter sido supostamente autorizado pela voz do então deputado Jair Bolsonaro
— ele também era morador do residencial. Isso teria ocorrido no dia 14 de março de 2018, horas antes do momento em que Marielle Franco e Anderson foram assassinados. Élcio é suspeito de ter participado do crime junto com Lessa. Naquele dia, Bolsonaro estava na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Na terça-feira passada, o Jornal Nacional noticiou o teor do depoimento do porteiro e explicou que Bolsonaro estava em Brasília naquele momento. No dia seguinte, em entrevista coletiva na sede do Ministério Público do Rio (MP-RJ), a promotora Simone Sibilio afirmou que o porteiro “mentiu” à polícia em seu depoimento. Depois, ela disse que ainda seria esclarecido pela investigação se o porteiro “mentiu, se equivocou ou esqueceu”.

A convicção do MP de que o profissional deu informações falsas à polícia baseou-se na análise da gravação de um diálogo em que o interlocutor do porteiro era Lessa. Os critérios que basearam a análise, feita por peritos do MP, foram definidos pouco mais de duras horas antes da coletiva das promotoras. A perícia foi criticada por não ter analisado o sistema de gravação de conversas da guarita, mas apenas os áudios cedidos pelo síndico em um CD.

Procurado, o Ministério Público do Rio afirmou que acompanha todos os atos de investigação relacionados ao caso, mas que as diligências tramitam sob sigilo. A promotoria também informou que as gravações entregues pelo síndico do condomínio seguiram para o setor de análise no dia 15 de outubro e que, portanto, a perícia do material não foi feita em apenas 2h30m.

Inquérito na PF

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) instaurou na quarta-feira um inquérito para apurar se o porteiro do condomínio cometeu crime ao mencionar o nome do presidente Bolsonaro em dois depoimentos sobre o caso Marielle.

A procuradoria quer que a PF investigue se o profissional cometeu os crimes de obstrução à Justiça, falso testemunho e denunciação caluniosa. Também há um pedido para que seja averiguada a possibilidade de o porteiro ter infringido o artigo 26 da Lei de Segurança Nacional. A legislação prevê de 1 a 4 anos de prisão para quem calunia ou difama autoridades, como o presidente, imputando a elas fatos criminosos ou ofensivos à reputação.

Entenda
:
O passo a passo da investigação sobre os acessos ao condomínio

A abertura do inquérito havia sido requisitada na semana passada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Em ofício enviado ao procurador-geral da República, Augusto Aras, ele solicitou que fossem verficadas as circunstâncias da menção ao nome de Bolsonaro. Aras expediu um ofício no último 30 demandando o MPF.

Marcada com o número 1, a casa 58 pertence a Jair Bolsonaro, no Vivendas da Barra; o imóvel fica perto da casa 66, marcada com o 2, de Ronnie Lessa. O outro suspeito do crime disse que iria à casa de Bolsonaro Foto: Arquivo O Globo
Marcada com o número 1, a casa 58 pertence a Jair Bolsonaro, no Vivendas da Barra; o imóvel fica perto da casa 66, marcada com o 2, de Ronnie Lessa. O outro suspeito do crime disse que iria à casa de Bolsonaro Foto: Arquivo O Globo
Registro da portaria do condomínio onde o então deputado Jair Bolsonaro morava à época do crime – antes de ser eleito presidente – aponta a entrada de Élcio Queiroz (foto), ex-PM preso por envolvimento da vereadora Marielle Franco, para a casa 58, de Bolsonaro Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
Registro da portaria do condomínio onde o então deputado Jair Bolsonaro morava à época do crime – antes de ser eleito presidente – aponta a entrada de Élcio Queiroz (foto), ex-PM preso por envolvimento da vereadora Marielle Franco, para a casa 58, de Bolsonaro Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
O PM reformado Ronnie Lessa, à esquerda, e o ex-PM Élcio Queiroz. Os dois foram presos em março deste ano, acusados de participarem da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018 Foto: Agência O Globo
O PM reformado Ronnie Lessa, à esquerda, e o ex-PM Élcio Queiroz. Os dois foram presos em março deste ano, acusados de participarem da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018 Foto: Agência O Globo
Prisão de Elaine de Figueiredo Lessa (centro), um dos alvos da operação
Prisão de Elaine de Figueiredo Lessa (centro), um dos alvos da operação “Submersus”. Elaine é esposa do PM reformado Ronnie Lessa, que é apontado como o assassino da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
O sargento reformado Ronnie Lessa é apontado como o autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
O sargento reformado Ronnie Lessa é apontado como o autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram presos em março de 2019, na Operação Lume. A motivação do crime, segundo as investigações, seria o avanço de ações comunitárias da vereadora na Zona Oeste, região de atuação de milícias Foto: Reprodução
Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram presos em março de 2019, na Operação Lume. A motivação do crime, segundo as investigações, seria o avanço de ações comunitárias da vereadora na Zona Oeste, região de atuação de milícias Foto: Reprodução
O bombeiro Maxwell Simões Correa, conhecido como Suel (de boné vermelho) prestou depoimento na Delegacia de Homicídios na Barra da Tijuca. Ele foi um dos alvos da Operação Lume Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
O bombeiro Maxwell Simões Correa, conhecido como Suel (de boné vermelho) prestou depoimento na Delegacia de Homicídios na Barra da Tijuca. Ele foi um dos alvos da Operação Lume Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Na casa de Suel, os policiais apreenderam uma réplica de fuzil e documentos Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Na casa de Suel, os policiais apreenderam uma réplica de fuzil e documentos Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Na Operação Lume, também foi preso Alexandre Motta, solto posteriormente pela Justiça Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
Na Operação Lume, também foi preso Alexandre Motta, solto posteriormente pela Justiça Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
Na casa de Alexandre, foram apreendidos 117 fuzis desmontados. Alexandre declarou que guardava o material a pedido do amigo Ronnie Lessa Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Na casa de Alexandre, foram apreendidos 117 fuzis desmontados. Alexandre declarou que guardava o material a pedido do amigo Ronnie Lessa Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
O sargento PM Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, foi preso na Operação Entourage, desdobramento da investigação das mortes de Marielle e Anderson. Ferreirinha chegou a ser considerado a principal testemunha do inquérito dos assassinatos de Marielle e Anderson. Ele é apontado pela Polícia Federal como o responsável por atrapalhar a investigação Foto: Reprodução / Reprodução
O sargento PM Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, foi preso na Operação Entourage, desdobramento da investigação das mortes de Marielle e Anderson. Ferreirinha chegou a ser considerado a principal testemunha do inquérito dos assassinatos de Marielle e Anderson. Ele é apontado pela Polícia Federal como o responsável por atrapalhar a investigação Foto: Reprodução / Reprodução
Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, é acusado de comandar milícia que atua em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Foi apontado pelo PM Ferreirinha como um dos mandantes das mortes de Marielle e Anderson Foto: Reprodução / Reprodução
Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, é acusado de comandar milícia que atua em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Foi apontado pelo PM Ferreirinha como um dos mandantes das mortes de Marielle e Anderson Foto: Reprodução / Reprodução
Outro desdobramento da investigação das mortes de Marielle e Anderson desencadeou a Operação Intocáveis, em janeiro deste ano. O major Ronald Paulo Alves Pereira foi um dos cinco presos. Ele é suspeito de chefiar uma milícia que age em grilagem de terras na Zona Oeste do Rio. A polícia considera a prisão do major estratégica para a investigação Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
Outro desdobramento da investigação das mortes de Marielle e Anderson desencadeou a Operação Intocáveis, em janeiro deste ano. O major Ronald Paulo Alves Pereira foi um dos cinco presos. Ele é suspeito de chefiar uma milícia que age em grilagem de terras na Zona Oeste do Rio. A polícia considera a prisão do major estratégica para a investigação Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
O ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido da Justiça, é suspeito de chefiar o grupo paramilitar Escritório do Crime Foto: Divulgação
O ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido da Justiça, é suspeito de chefiar o grupo paramilitar Escritório do Crime Foto: Divulgação
Um dos investigados na Operação Intocáveis é Jorge Alberto Moreth, conhecido como Beto Bomba. Foragido desde janeiro, ele se entregou à polícia no dia 25 de maio. Beto Bomba é ex-presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, e apontado como um dos líderes da milícia que atua na região. A polícia investiga o grupo criminoso conhecido como Escritório do Crime, apontado como a mais letal e secreta falange de pistoleiros da cidade Foto: Reprodução
Um dos investigados na Operação Intocáveis é Jorge Alberto Moreth, conhecido como Beto Bomba. Foragido desde janeiro, ele se entregou à polícia no dia 25 de maio. Beto Bomba é ex-presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, e apontado como um dos líderes da milícia que atua na região. A polícia investiga o grupo criminoso conhecido como Escritório do Crime, apontado como a mais letal e secreta falange de pistoleiros da cidade Foto: Reprodução
Familiares de Marielle Franco chegam ao Ministério Público para coletiva sobre a prisão dos executores da vereadora e do motorista Anderson Gomes. Na foto, Antonio da Silva Neto, pai de Marielle; Luyara, filha; e Anielle Silva, irmã da vereadora Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Familiares de Marielle Franco chegam ao Ministério Público para coletiva sobre a prisão dos executores da vereadora e do motorista Anderson Gomes. Na foto, Antonio da Silva Neto, pai de Marielle; Luyara, filha; e Anielle Silva, irmã da vereadora Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Marielle Franco e Anderson Gomes, mortos em março de 2018 Foto: Reprodução
Marielle Franco e Anderson Gomes, mortos em março de 2018 Foto: Reprodução

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