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Cidades

Secretário de Vigilância em Saúde defende que as pessoas não saiam de casa


A atitude do presidente Bolsonaro se opõe frontalmente à posição de especialistas do próprio Ministério da Saúde dele. No último domingo (22), o secretário de Vigilância em Saúde, por exemplo, defendeu enfaticamente que as pessoas não saiam de casa: “Desta maneira, é importante alertar que temos, até agora, o isolamento, ele é recomendado neste momento. Então, pedimos a todos: reforcem as medidas de isolamento que a Secretaria de Saúde do município, do estado, do ministério está pedindo”.

Até pelo conteúdo da fala do secretário Wanderson Oliveira, o que todos queriam saber, nesta quarta-feira (25), era como o ministro da Saúde se posicionaria sobre o pronunciamento desta terça (24) do presidente Jair Bolsonaro. À tarde, numa longa declaração ao lado da equipe que coordena o combate ao coronavírus, Luís Henrique Mandetta foi cuidadoso, mas procurou ajustar a fala dele à fala do presidente.

O ministro não desautorizou explicitamente as medidas adotadas por prefeitos e governadores, mas disse que é preciso ter calma quando se decreta a quarentena: “Se nós estamos começando o processo, nós estamos iniciando a curva, nós temos que ter muita calma porque a quarentena é um remédio extremamente amargo, extremamente duro. E vai ter a hora que a gente vai precisar usar. Então, você tem desde redução de mobilidade, que você pode fazer antes do lockdown, como estão chamando – o brasileiro adora copiar palavras americanas, inglesas. Eles chamam lá de lockdown, ou seja, fecha tudo. Antes de adotar o fecha tudo, existe a possibilidade de trabalhar por bairro, existe a possibilidade de fazer redução de mobilidade urbana em determinados aparelhos. Existe uma série de medidas que vai se tomando até que você tenha um patamar. Aí você chega, quando eu chegar nesse patamar, eu passo a considerar conter um bairro, conter uma cidade. Nós saímos praticamente do início dos números para praticamente um efeito cascata de decretação de lockdowns em todo o território nacional em paralelo. Como se nós estivéssemos todos em franca epidemia. E isso causa uma série de transtornos para o próprio sistema de saúde, que é a única razão das nossas medidas aqui”.

O ministro da Saúde evitou comentar as críticas de políticos, de governadores e das classes médica e científica ao que o presidente disse nesta terça. Mandetta afirmou que o foco do governo será na proteção à vida, mas elogiou o presidente Bolsonaro por chamar a atenção para a economia.

“Nós não vamos perder o foco que nós já construímos, estamos todos muito conscientes no foco da vida, da proteção à vida. As questões econômicas são importantíssimas e fizeram parte da linha da fala do presidente, onde ele coloca que, se não tivermos um cuidado com a atividade econômica, essa onda de dificuldade que a saúde vai trazer, virá uma onda de dificuldade maior ainda em relação à crise econômica. Nós da Saúde não podemos ser insensíveis, nós entendemos e enxergamos e vemos isso com muita clareza. O que nós queremos é fazer de uma maneira organizada. Eu vejo, nesse sentido, a grande colaboração da fala do presidente. Chamar a atenção de todos que é preciso pensar na economia, a maneira como nós vamos fazer isso será juntos, nós vamos construir juntos, não só a equipe dos governadores, como os representantes provavelmente de um prefeito. Mas, enfim, nós vamos fazer juntos, juntos com os inúmeros ministros de estado que participam dessa força tarefa que acomete a todos”, afirmou Mandetta.

Mandetta afirmou também que vai continuar à frente do cargo, desmentindo rumores de que deixaria o governo por discordar das críticas que o presidente fez nesta terça ao isolamento social: “A gente não vê, e eu sei que muita gente falou, hoje especularam, ‘o ministro vai sair, o ministro não vai sair’. Eu vou deixar muito claro: eu saio daqui na hora que acharem que eu não devo trabalhar, que o presidente achar, porque foi ele que me nomeou, ou se eu tiver doente, que é possível eu ter uma doença, ou num momento em que eu achar que esse período todo de turbulência já tenha passado e que eu possa não ser mais útil. Nesse momento de crise agora, eu vou trabalhar ao máximo, a equipe está todinha focada, nós vamos trabalhar com critério técnico sempre. Queremos que a gente repasse determinadas estruturas que possam e devem e têm que ser feitas por um comitê muito mais alargado do que o da Saúde. Tenho certeza que esse comitê vai achar boas soluções para a economia em tempos de problemas de saúde, vai achar boas soluções para a logística, boas soluções para a Cultura, boas soluções para uma série de atividades que são essenciais na vida da gente”, disse.

Mandetta criticou o comportamento da população antes das medidas restritivas determinadas pelos governadores, e voltou a dizer que sabe a gravidade do problema que o coronavírus representa.

“O Ministério da Saúde vai procurar, agora, com essas equipes dos governos, que foram muito assimétricas, tomaram medidas assimétricas – talvez por aquela necessidade de naquele momento, naquele clima, da maneira como estava o comportamento da nossa população. Enquanto o Ministério da Saúde passou aqui o mês de janeiro, de fevereiro, de março, recomendando, orientando, pedindo para as pessoas, parece que a ficha não caia. Estava todo mundo numa praia, estava todo mundo andando para lá e para cá, todo mundo em bar, todo mundo bebendo, todo mundo achando graça, fazendo piada. Não é o momento de fazer piada, embora a gente seja muito bem humorado no Brasil, o momento agora é da gente olhar, reconhecer, ter calma todo mundo, todo mundo sentar à mesa, não tem partido político, não tem A, B, C ou D; tem nós, povo brasileiro. Nós vamos ser, profundamente, cada vez mais focados no trabalho que a gente tem que fazer. Não tem ninguém nessa equipe aqui que não saiba o tamanho do problema, a gravidade do problema, as ações que a gente tem que tomar, como informar a população. Já falamos que teremos dias difíceis, semanas duras. Vamos ter agora nossa subida de casos. Temos a maior metrópole da América Latina, São Paulo. Sabemos das nossas dificuldades hospitalares. Sabemos que, no final, essa contaminação por esse vírus vai chegar num ponto de equilíbrio e vai passar”, defendeu.

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